sexta-feira, 22 de maio de 2009





Anísia 

Mãos cruzadas, serenas,
A face lânguida,
Nem branca, nem morena.
Foi-se em uma célere partida.
E meu coração melindroso,
Sente o revés do gozo.

Tenho andado triste, querida.
 

Arrancastes um braço meu.
E a varanda de sua casa,
é a varanda mais triste.
Volte, passe-me o Merthiolate que arde
 

E sua doce escassez de alarde.

Oito vezes mãe,
Mais vezes avó,
Bisavó, pouquíssimas.
E de domingo dói o dobro.
No peito, um imenso nó.
 

Por que nos deixastes, avó?

Infarto agudo do miocárdio,
Eu odeio surpresas.
Adeus Dona Anísia.


5 comentários:

tania disse...

Dói muito a ausência dela!. Foi rápido demais, ainda não consegui entender...mas Deus sabe o q faz sempre!.

Diogo Nascimento disse...

É como a flor de Drummond: alguém que a pede continuamente mas, essa flor, não existe mais para lhe ser dada. Eu também acho inteiramente sem esperança. Mas desejo paz ao teu coração querida.

Glauco Geremias disse...

Olá...
A dor da perda, é algo que nos assola, assombra corroi...
Não conheci D. anísia, mas certamente deulhe alegria em vida! Louve esta alegria, que em ti se faz presente, mesmo que nos cantos mais fundos do coração...
entendo a dor, mas com o tempo ela se apaga, verás que os pensamentos de felicidade junto a pessoa, são bem maiores que o da dor..
quanto a sua capacidade de trasnformar o sentimento em palavras, continua perfeito...
um abraço, e te desejo paz e acalanto ao seu coração!

Tuh disse...

Quando sentimos uma dor pela perda... é a certeza de quem perdemos nos proporcionou momentos bons... e a vida é feita desses momentos que o tempo não apaga...

Priscila disse...

eu adoro essa Poesia...
sua vó te deu um ratinho carnívoro..
suaHSUahsus
eu sempre lembro...