sexta-feira, 28 de agosto de 2009


Mal feita


A menstruação estancou
O seio cheio de leite.
A filha apeticida pela mãe,
Um infortúnio para o pai.
Feto marcado.
Morre o bêbado desgraçado.
Cresce, crescem mamas.
Menstruação precoce.

Alma leve de isopor
E surge um senhor

Vira chumbo.
Tanta neguinha para amar
E em mim a barba foi roçar.
Na navalha da idade,

Desejo de uteração.
Suicídio.
Intervenção divina?
Um ser roçagante,
Restringindo o corpo.
E vive assim,
Um penico furado,
Um filho violentado.
É preciso que haja o domingo.
Para passar esmalte,
Para o esmalte secar.
Voltou a ser,
Depila as axilas
E chora água do mar.
Às vezes é preciso falecer,
Outras vezes, matar.
Em nome do Diabo,
Do Pai,
Do Filho,
E do Espírito Santo,
Amém.


sexta-feira, 22 de maio de 2009





Anísia 

Mãos cruzadas, serenas,
A face lânguida,
Nem branca, nem morena.
Foi-se em uma célere partida.
E meu coração melindroso,
Sente o revés do gozo.

Tenho andado triste, querida.
 

Arrancastes um braço meu.
E a varanda de sua casa,
é a varanda mais triste.
Volte, passe-me o Merthiolate que arde
 

E sua doce escassez de alarde.

Oito vezes mãe,
Mais vezes avó,
Bisavó, pouquíssimas.
E de domingo dói o dobro.
No peito, um imenso nó.
 

Por que nos deixastes, avó?

Infarto agudo do miocárdio,
Eu odeio surpresas.
Adeus Dona Anísia.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009



Perfídia



Diz quase num gemido
Que é quase minha mulher.
Bafo morno no ouvido
E enfia-se boca adentro,

Como uma colher.


Por mim vai à missa,
Deixa de usar batom.

E não és submissa?!

Enfio-me corpo adentro,
Sou bom!


Quando chega o ordinário,

Ela retoma a respiração,

Olha-me com escárnio.

Enfio-me armário adentro,

Ela desamassa o colchão.


Gosto-te assim, casada.

Senta aqui, me escuta!

Não te amarei divorciada.

E enfia-me porta afora.

Filha de uma puta!


Mas logo me liga
E te deixo de perna bamba,

Transa fazendo figa

E enfio-me mata adentro,

Quase fiz um samba.