Mal feita
A menstruação estancou
O seio cheio de leite.
A filha apeticida pela mãe,
Um infortúnio para o pai.
Feto marcado.
Morre o bêbado desgraçado.
Cresce, crescem mamas.
Menstruação precoce.
Alma leve de isopor
E surge um senhor
Vira chumbo.
Tanta neguinha para amar
E em mim a barba foi roçar.
Na navalha da idade,
Desejo de uteração.
Suicídio.
Intervenção divina?
Um ser roçagante,
Restringindo o corpo.
E vive assim,
Um penico furado,
Um filho violentado.
É preciso que haja o domingo.
Para passar esmalte,
Para o esmalte secar.
Voltou a ser,
Depila as axilas
E chora água do mar.
Às vezes é preciso falecer,
Outras vezes, matar.
Em nome do Diabo,
Do Pai,
Do Filho,
E do Espírito Santo,
Amém.
Anísia
Mãos cruzadas, serenas,
A face lânguida,
Nem branca, nem morena.
Foi-se em uma célere partida.
E meu coração melindroso,
Sente o revés do gozo.
Tenho andado triste, querida.
Arrancastes um braço meu.
E a varanda de sua casa,
é a varanda mais triste.
Volte, passe-me o Merthiolate que arde
E sua doce escassez de alarde.
Oito vezes mãe,
Mais vezes avó,
Bisavó, pouquíssimas.
E de domingo dói o dobro.
No peito, um imenso nó.
Por que nos deixastes, avó?
Infarto agudo do miocárdio,
Eu odeio surpresas.
Adeus Dona Anísia.
Perfídia
Diz quase num gemido
Que é quase minha mulher.
Bafo morno no ouvido
E enfia-se boca adentro,
Como uma colher.
Por mim vai à missa,
Deixa de usar batom.
E não és submissa?!
Enfio-me corpo adentro,
Sou bom!
Quando chega o ordinário,
Ela retoma a respiração,
Olha-me com escárnio.
Enfio-me armário adentro,
Ela desamassa o colchão.
Gosto-te assim, casada.
Senta aqui, me escuta!
Não te amarei divorciada.
E enfia-me porta afora.
Filha de uma puta!
Mas logo me liga
E te deixo de perna bamba,
Transa fazendo figa
E enfio-me mata adentro,
Quase fiz um samba.